O agrupamento Ventinveste entregou hoje a proposta concorrente à atribuição de licenças para a produção de energia eólica. O consórcio liderado pela Galp Energia propõe-se investir mil milhões de euros e criar 1250 novos postos de trabalho num diversificado cluster industrial e na instalação de nove parques eólicos em sete distritos do país.
A Galp Energia, através da Galp Power, é o principal accionista do agrupamento Ventinveste com uma participação de 34 por cento, seguindo-se a Martifer (31 por cento), a Enersis (30 por cento), a Efacec Energia (dois por cento) e a Repower Portugal, a Repower Systems AG e a fábrica de pás Power Blades, com um por cento cada.
A componente industrial do projecto engloba a criação de 23 unidades industriais, todas elas localizadas em zonas classificadas pelo Programa de Recuperação de Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD), e envolve um investimento de 80 milhões de euros (25 milhões de investimento directo e 55 milhões de investimento indirecto). As unidades estão previstas para os distritos de Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa, Porto, Santarém e Viseu. Na parte eólica, que representa um investimento de 920 milhões de euros, o projecto comporta a construção de um conjunto de parques eólicos, o primeiro dos quais entrará em funcionamento em 2008.
1250 novos postos de trabalho
O cluster industrial tem um horizonte temporal de pelo menos 17 anos de actividade e contabiliza um valor acrescentado bruto (VAB) de 100 milhões de euros no ano em que a velocidade de cruzeiro é atingida. As 23 unidades a instalar, ou a desenvolver, terão uma capacidade de produção anual de 80 aerogeradores e de 267 conjuntos de pás. O projecto prevê que 60 por cento da produção total seja destinada à exportação, num valor global de 3600 milhões de euros para o período de actividade.
Ainda no capítulo industrial, os planos do agrupamento Ventinveste contemplam a criação de 1250 novos postos de trabalho (650 directos), dos quais 64 por cento serão empregos especializados (escolaridade complementar ou vocacional), 10 por cento empregos técnicos e de incentivo à inovação (formação superior universitária /grau de mestre ou doutor) e os restantes 26 por cento empregos indiferenciados, permitindo integrar desempregados de longa duração ou outros profissionais com baixas qualificações mediante adequada formação profissional.
Investimento de 920 milhões de euros na componente eólica
A vertente eólica do projecto representa a grande fatia do investimento, com 920 milhões de euros a serem aplicados na construção de nove parques eólicos. Com base em estudos de vento que já foram realizados nos terrenos previstos pelo agrupamento, o projecto aponta para potências que irão variar entre os 40 e os 150 MVA nos diferentes parques, ao mesmo tempo que prevê disponibilizar 50 horas de interruptibilidade ao gestor da Rede Nacional de Transporte de energia eléctrica, contribuindo, assim, para melhorar a flexibilidade da gestão daquela rede. A entrada em produção do primeiro parque deverá ocorrer no final de 2008, e a do último em 2013. Os planos da Ventinveste apontam, à partida, para a construção de nove parques eólicos nos distritos de Beja, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Lisboa, Vila Real e Viseu.
Transferência de tecnologia e projectos inovadores
Outra área em que a proposta Ventinveste se apresenta especialmente competitiva é a da componente de inovação e tecnologia. O consórcio assegura a transferência de tecnologia, através da Repower AG, no fabrico de pás, aerogeradores da mais recente tecnologia, caixas multiplicadoras, conversores e geradores, bem como de várias outras valências na área da gestão técnica do sistema eléctrico, quer na da optimização da integração dos parques eólicos nas redes eléctricas (previsibilidade, qualidade e segurança operacional) quer nas soluções de armazenamento de energia. Neste último aspecto, o agrupamento Ventinveste quer implementar um projecto-piloto inovador que recorre à mais recente tecnologia. Correspondendo inteiramente ao Programa e Caderno de Encargos do Concurso, o agrupamento compromete-se, ainda, a dotar o Fundo de Inovação nele previsto, a ser gerido pelo adjudicante, com o montante de 35 milhões de euros.
Investimento indutor de desenvolvimento
O agrupamento Ventinveste concorre com uma proposta que cobre toda a linha do concurso, o qual prevê a atribuição de licenças de 800 MVA na ‘Fase A’ e de 400 MVA na ‘Fase B’. O enquadramento da segunda fase fica sujeito a eventual adaptação, de acordo com as linhas detalhadas que o júri do concurso vier a traçar para o efeito.
Com uma proposta sólida e muito competitiva, o agrupamento Ventinveste apresenta um projecto de investimento indutor de desenvolvimento económico, tecnológico e de consolidação de toda uma fileira de empresas e de indústrias, a par do contributo claro para os objectivos nacionais nas políticas económica e energética, do ambiente e da ciência e tecnologia.
Com o projecto Ventinveste, a Galp Energia dará mais um passo na entrada no mercado eléctrico português, apostando em sinergias com outros parceiros e negócios. Simultaneamente, a empresa diversifica as suas fontes de criação de valor, dando prioridade aos benefícios ligados a investimentos que conjugam a eficiência económica e ambiental, com reflexos na responsabilidade social que a empresa assume como um dos eixos fundamentais.
A Enersis, o maior produtor nacional de electricidade renovável em regime especial, sempre atenta à inovação nestes domínios, verá potenciado todo o know-how e experiência acumulados, a par de um incremento relevante no seu portfolio eólico.
A Martifer, um dos maiores players europeus e líder ibérico na área da metalo-mecânica, consolidará a opção estratégica que delineou, entrando nas energias renováveis, quer na fileira industrial da produção de componentes para aerogeradores, quer noutros domínios como os biocombustíveis.
A Efacec, empresa portuguesa com reputada capacidade técnica no mercado internacional na área dos sistemas e equipamentos eléctricos e electro-mecânicos, encontrará uma oportunidade sustentada para entrar em novas áreas de produção de equipamentos, endogeneizando novas tecnologias, desenvolvendo know-how e capacidade de actuação em mercados-alvo.
A Repower Systems AG, reputado fabricante alemão de aerogeradores (com gama de máquinas até 5 MW para off shore ), terá a oportunidade de consolidar o seu crescimento industrial, nomeadamente através da aliança com um fabricante de pás de dimensão mundial, a Umöe, que levará à construção de uma fábrica de pás em Portugal cuja produção se destina maioritariamente à exportação. No âmbito dos acordos de transferência de tecnologia que já foram assinados no consórcio, a Repower compromete-se a integrar nas fábricas em Portugal toda a inovação que venha a desenvolver. Por forma a dar sustentabilidade aos investimentos a realizar no país, a Repower Systems AG e a Martifer constituíram, antes da formação do consórcio, uma joint-venture para o desenvolvimento de tecnologias eólicas através da sua participada conjunta Repower Portugal.